O registro brasileiro de domínios permite desde 2005 domínios com acentos e cedilha — como São-Paulo.com.br ou informação.com.br — mesmo que o DNS em si nunca tenha ganhado suporte nativo a esses caracteres; por trás de cada um deles existe sempre uma conversão Punycode.
O que acontece com til e cedilha ao registrar um domínio
Ao registrar um domínio com "ã", "õ" ou "ç", o registrador converte automaticamente o nome para sua forma xn-- antes de enviá-lo ao DNS — a versão que o usuário vê na barra de endereços e a que realmente trafega na rede são strings diferentes. Essa conversão continua obrigatória porque o DNS propriamente dito nunca mudou; apenas ganhou essa camada extra de tradução.
Por que não simplesmente aceitar UTF-8 no DNS
Mudar o DNS para aceitar UTF-8 diretamente exigiria atualizar, ao mesmo tempo, todos os servidores de nomes do mundo. O Punycode evita isso: só o navegador e o registrador precisam entender a codificação, enquanto a infraestrutura DNS por trás continua enxergando apenas ASCII.
Casos de uso comuns
- Verificar qual domínio real está por trás de uma string
xn--...recebida por e-mail ou link. - Converter um domínio com acentos ou cedilha para sua forma Punycode antes de configurá-lo num painel de DNS que só aceita ASCII.
- Diagnosticar certificados ou endereços de e-mail com IDN.
O risco dos homóglifos também existe em português
O "а" cirílico e o "a" latino são visualmente idênticos na maioria das fontes, o que permite registrar domínios como "аpple.com" com uma letra cirílica para imitar uma marca legítima. Ao detectar essa mistura suspeita de alfabetos numa mesma etiqueta, os navegadores modernos exibem diretamente a forma xn-- em vez de decodificá-la, exatamente para evitar esse tipo de golpe.