No Brasil, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) não cita o AES pelo nome, mas trata a criptografia como uma das "medidas de segurança técnicas" esperadas para proteger dados pessoais contra acesso não autorizado. Na prática, quando uma empresa brasileira precisa demonstrar à ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) que cifra dados sensíveis em repouso, o AES-256 é quase sempre o algoritmo por trás dessa afirmação.
Por que a criptografia virou parte da conformidade, não só da engenharia
Antes da LGPD (em vigor desde 2020), cifrar dados era decisão puramente técnica. Hoje é também uma exigência legal indireta: a lei responsabiliza a empresa por vazamentos, e criptografia forte no banco de dados é o argumento mais comum para reduzir a gravidade de um incidente perante a ANPD. Isso deslocou o AES de detalhe de implementação para item de checklist em auditorias de segurança.
Modos de operação: CBC contra GCM
O AES cifra dados em blocos de tamanho fixo, então o modo de operação determina como esses blocos se relacionam entre si. O CBC (Cipher Block Chaining) encadeia cada bloco ao anterior, garantindo confidencialidade mas sem verificar a integridade dos dados. O GCM (Galois/Counter Mode) adiciona autenticação, ou seja, cifra os dados e ao mesmo tempo garante que não foram adulterados — por isso é considerado a escolha mais moderna e segura, e a recomendada por padrão hoje.
Por que é necessário um vetor de inicialização (IV)
Se você cifrar os mesmos dados com a mesma chave sem variação adicional, o resultado sempre será idêntico — o que vaza informação sobre blocos repetidos. O vetor de inicialização é um valor aleatório único adicionado a cada operação de cifragem, garantindo um resultado diferente mesmo para dados de entrada idênticos e a mesma chave.
Para que serve
- Cifrar dados sensíveis antes de armazená-los ou transmiti-los pela rede.
- Justificar, em uma auditoria de conformidade com a LGPD, qual algoritmo protege os dados em repouso.
- Diagnosticar problemas de compatibilidade ao decifrar dados cifrados por outro sistema.
AES-128 versus AES-256: é preciso uma chave mais longa?
Intuitivamente parece que uma chave duas vezes mais longa significa uma proteção duas vezes melhor, mas na prática o AES-128 ainda é considerado criptograficamente seguro hoje. O AES-256 oferece uma margem maior de segurança para o caso de futuros avanços teóricos (incluindo a computação quântica), mas custa um pouco mais em termos computacionais — a escolha entre eles é um compromisso entre desempenho e margem de segurança, não "seguro contra inseguro".