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X.509: o que há dentro de um certificado SSL

No Brasil, todo certificado com validade jurídica plena — como o e-CPF, o e-CNPJ usado para acessar sistemas da Receita Federal, ou os certificados por trás da NF-e — encadeia até a AC-Raiz, mantida pelo ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação) dentro da hierarquia ICP-Brasil. Nenhum navegador confia nessa raiz por padrão: a validação ICP-Brasil acontece em softwares homologados separadamente, não no cadeado do navegador.

Que campos compõem um certificado

  • Subject — para quem o certificado foi emitido (um domínio, organização ou, no caso do ICP-Brasil, uma pessoa física ou jurídica).
  • Issuer — quem emitiu o certificado (uma autoridade certificadora, ou CA).
  • Período de validade — as datas de início e fim da validade do certificado.
  • Chave pública — a chave usada para estabelecer uma conexão segura ou verificar uma assinatura.
  • Assinatura digital — a assinatura do emissor, que confirma a autenticidade de todos os outros campos.

Mesmo formato, cadeia de confiança diferente

Um certificado ICP-Brasil e o certificado TLS de um site usam exatamente a mesma estrutura X.509 e o mesmo mecanismo de cadeia de confiança: uma AC intermediária assina o certificado final, e a AC-Raiz assina a intermediária. A diferença está em qual repositório de confiança faz a checagem: o software homologado pelo ITI confia na AC-Raiz brasileira, enquanto o navegador confia num conjunto totalmente diferente de raízes comerciais para HTTPS — as duas cadeias nunca precisam se encontrar.

Por que o período de validade é limitado

Um período de validade limitado (geralmente 90 dias a 1 ano para certificados web modernos) reduz os riscos de uma chave privada comprometida e obriga a atualização regular dos parâmetros criptográficos de acordo com os padrões de segurança atuais.

Para que serve

  • Diagnosticar problemas com certificados SSL ao configurar um servidor web.
  • Verificar o período de validade e o emissor de um certificado sem recorrer a serviços externos.
  • Entender a estrutura de um certificado ao trabalhar com mTLS, certificados de cliente ou sistemas ICP-Brasil.

Certificados autoassinados

Um certificado pode ser assinado com sua própria chave privada em vez de qualquer CA — estruturalmente é idêntico a um X.509 "real", com os mesmos campos, mas nele o Issuer e o Subject coincidem. É a mesma questão de confiança levada ao extremo: a cadeia não leva a lugar nenhum, então nada fora da sua própria configuração tem motivo para confiar nele, e é exatamente por isso que serve para testes internos mas é sinalizado como não confiável em qualquer outro contexto.

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